é
um bairro da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, situado próximo
aos bairros de Del Castilho, Inhaúma, Pilares, Tomáz Coelho
e Vicente de Carvalho. O bairro é servido pelo serviço
metroviário da cidade - Metrô do Rio de Janeiro e pela
Supervia - sistema de trens urbanos. As terras do Engenho da Rainha
abrangiam os territórios onde hoje se localizam os bairros do
mesmo nome, Inhaúma e possivelmente Pilares e Tomás Coelho
. O Engenho da Rainha integrava a paróquia de Inhaúma,
que se destacava entre as demais por suas terras férteis e por
ser uma das freguesias suburbanas mais próximas ao centro. Posição
que, a partir de 1838, ocuparia sozinha, quando as freguesias da Lagoa
e do Engenho Velho foram alçadas à categoria de freguesias
da cidade . A história do Engenho da Rainha ganharia singularidade
a partir de 1810, quando a Rainha Carlota Joaquina elegeu o local para
o estabelecimento de uma casa para repouso . Joaquim Justino Moura dos
Santos, assinala que a fundação do Engenho da Rainha inscreveu-se
no quadro das mudanças sócio-econômicas operadas
na cidade do Rio de Janeiro, com a vinda da corte portuguesa para o
Brasil e a escolha da cidade como sede do governo imperial: A vinda
da família real impõe ao Rio uma classe social até
então praticamente inexistente. Impõe também novas
necessidades materiais que atendam não só aos anseios
dessa classe, como facilitem o desempenho das atividades econômicas,
políticas e ideológicas que a cidade passa a exercer .
Na esteira destas mudanças as lavouras da freguesia de Inhaúma
aumentaram em sua extensão, sendo reforçada a importância
dessa paróquia como fornecedora de gêneros alimentícios
para o abastecimento do centro da cidade. Além disso, por determinação
do rei D.João VI, foram feitos reparos na Estrada Real de Santa
Cruz para facilitar o trajeto da família real até à
Real Fazenda de Santa Cruz. Atravessando as terras do Engenho da Rainha,
a Estrada Real de Santa Cruz (atual Avenida Dom Hélder Câmara),
constituía-se numa via fundamental para o intenso comércio
mantido entre a freguesia de Inhaúma e o centro da cidade.
Na primeira metade do século XIX, a instalação
das primeiras manufaturas no Rio de Janeiro, alterou as funções
da cidade, que passaria a investir, ainda que de forma incipiente, na
instalação de fábricas. As mudanças de rumo
na economia, requisitariam espaços para acomodar a produção
fabril e a população operária em formação.
A partir deste período, as grandes lavouras da Freguesia de Inhaúma
entrariam em declínio, provocando mudanças sensíveis
na paróquia que criaria novas formas de sobrevivência social
e econômica que se adaptaram perfeitamente às exigências
de uma nova conjuntura de crescimento . A Freguesia de Inhaúma
paulatinamente perderia o seu caráter agrícola, passando
a servir como local de residência proletária. A decadência
da freguesia de Inhaúma arrastou consigo as localidades que integravam
a paróquia. O Engenho da Rainha, nas mãos de particulares
desde o fim do Império, foi loteado e vendido por seu último
proprietário: o Coronel Antônio Joaquim de Souza Pereira
Botafogo. Investido da lógica capitalista insurgente, o Coronel
Pereira Botafogo, juntamente com a venda dos lotes de terra, também
fabricava e comercializava materiais de construção . O
traçado urbano do Engenho da Rainha foi definido, na última
década do século XIX, pelo loteamento do Coronel Botafogo
e pela linha férrea que ordenava o estabelecimento das residências
proletárias, uma vez que a população procurou fixar-se
em áreas próximas às estações de
trem, a fim de facilitar o seu deslocamento para o trabalho.